Tomada de Posse

 MG 5189

As minhas primeiras palavras são de profundo agradecimento para todos vós que hoje nos honram com a vossa presença neste ato solene de tomada de posse dos novos Corpos Gerentes da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde.

Apresento o meu reconhecimento por estarem aqui hoje a testemunhar esta Cerimónia, como sinal de solidariedade institucional, ou como expressão da consideração pessoal ou de amizade com que me honram.

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Todas as grandes instituições, históricas, cultivam o cerimonial, como marca externa de respeito. É a liturgia das igrejas, o aparato das paradas militares, a imponência simbólica das práticas judiciais. As Misericórdias, instituições seculares, não podem ficar de fora. A imagem transmitida por uma cerimónia, imponente, digna, vale mais do que a publicidade do “marketing” moderno.

Como em tantos outros domínios, sou do entendimento que a Santa Casa da Misericórdia de Mangualde deve marcar uma imagem de qualidade, também nesta matéria de cerimonial tida muitas vezes como menor. Mas não é menor, porque o cerimonial, os símbolos, os trajes, são um elemento identificador importante das instituições.

Por esta razão sempre defendi que esta Cerimónia, para além do carácter público que se lhe deveria conferir, deveria também ser uma marca de imponência e de dignidade adequada à nobreza desta secular Instituição. A presença de tão elevado numero de irmãos, colaboradores e convidados nesta Cerimónia é a marca inequívoca da grandiosidade da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde.

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Quero também aproveitar esta ocasião para, muito penhoradamente, publicitar o meu profundo reconhecimento a todos os irmãos pela forma empenhada como participaram no recente ato eleitoral para a nossa SCMM.

O expressivo resultado eleitoral alcançado no passado dia 17 de Janeiro, com 55% de votos favoráveis, num contexto de elevada mobilização, é para nós revelador do mandato claro e inequívoco que os irmãos nos atribuíram. À confiança na revitalização da Instituição juntou-se agora a certeza de um futuro que, embora difícil e trabalhoso, procurará ser sempre alicerçado na união e no envolvimento de todos os irmãos.

Aos irmãos que em nós confiaram e a quem agradeço o apoio e a confiança, asseguramos tudo fazer para continuar a merecer a confiança que em nós depositaram.

Aos restantes irmãos, quer aos que, não participando, se alhearam desta importante manifestação de democracia e cidadania, quer aos que preferiam outra opção para gerir os destinos da nossa Irmandade, quero garantir-vos que estaremos sempre disponíveis para vos receber e ouvir os vossos contributos e opiniões no sentido de, todos juntos, promovermos o melhor desenvolvimento da Instituição.

A todos, sem exceção, prometemos honrar esta secular Instituição, com trabalho, muito trabalho, dedicação, lealdade e espirito de missão.

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Ilustres convidados, prezados irmãos, colaboradores, minhas senhoras e meus senhores:

Tenho a honra e o privilégio de hoje tomar posse como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde, juntamente com os restantes elementos que constituem os Corpos Gerentes da Santa Casa que me acompanham nesta missão. A eles agradeço, sinceramente, pela disponibilidade e pela responsabilidade e desafios que estão dispostos a assumir comigo nos próximos quatro anos.

Sinto uma grande honra e muito orgulho, mas simultaneamente também sinto uma enorme responsabilidade pela nobre missão que hoje me é confiada, porque a SCMM é um desafio que me obrigará a estar permanentemente atento no sentido de alcançarmos os objetivos que a Instituição merece e que irmãos e a comunidade esperam.

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Concorremos aos órgãos sociais da SC, com a certeza de que temos um projeto válido e seguro, assente nos princípios da disponibilidade, da modernidade, da inovação e na vontade de bem servir, é um compromisso de honra que nos vinculará a todos os Irmãos e à SCMM. Este compromisso está sustentado nos valores da Lealdade, da Honestidade e da Frontalidade.

Aceitamos esta missão por vontade própria, de alma aberta, e com a determinação e o empenho para conduzirmos os destinos da Santa Casa, com a dedicação, o espírito de missão, a competência e a abnegação que a Instituição merece, de forma a reposicioná-la como uma grande instituição ao serviço da Irmandade e de Mangualde.

Procuraremos sempre o bom entendimento, as parcerias e a cooperação com as demais instituições do nosso Concelho. Digo-o com toda a convicção porque somos uma equipa de pessoas com múltiplas experiências profissionais, com competências e elevados valores morais. Teremos a preocupação permanente de honrar todos aqueles que durante 400 anos serviram a SCMM, tendo em atenção os princípios da doutrina e moral cristã, as normas das instituições particulares de solidariedade social e o compromisso da Irmandade.

Prezados irmãos

A Santa Casa da Misericórdia de Mangualde é uma Instituição que garante cerca de 140 postos de trabalho. Tem uma execução orçamental na ordem dos 2,5 milhões de euros por ano. Promove obras no âmbito da ação social, garantindo o bem-estar, o conforto e a qualidade de vida a cerca de 200 utentes, através de serviços de excelência e de cuidados especializados nos lares, na Unidade de Cuidados Continuados e na Creche. É por isso tudo uma instituição de grande importância para a nossa comunidade.

Assim, consideramos que o trabalho a desenvolver deve assentar na promoção e garantia de serviços de excelência aos utentes, na valorização e motivação dos recursos humanos, no fortalecimento e desenvolvimento do espírito da Irmandade, na conservação, manutenção e reabilitação das infraestruturas, na manutenção, reabilitação e rentabilização do património, tendo sempre em atenção a garantia da sustentabilidade financeira da Instituição e o financiamento de projetos ancorados no novo quadro comunitário de apoio.

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Para nós as pessoas estarão sempre em primeiro lugar. Assim, os utentes deverão ser sempre a nossa prioridade e o nosso foco, pelo que, seguindo a tradição da Instituição, será necessário manter e promover obras no âmbito da ação social, garantindo o bem-estar, o conforto e a qualidade de vida dos utentes, através de serviços de excelência e de Cuidados especializados.

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Também os recursos humanos, funcionários e colaboradores, merecerão sempre uma atenção e observação especial. Eles são a base do sucesso do funcionamento da Instituição. Trabalham diariamente com zelo e dedicação, dando o melhor de si à Instituição e aos utentes. Procuraremos por isso, valorizá-los e motivá-los, promovendo o mérito através de um sistema justo de avaliação do desempenho e da formação técnico-profissional necessária, no sentido de potenciar a eficácia e a qualidade dos serviços prestados.

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A conservação, manutenção e reabilitação das infraestruturas deverá merecer uma atenção especial através do desenvolvimento de um plano de manutenção que identifique, avalie e calendarize todas as intervenções necessárias, de forma a garantir a conservação das unidades e a otimizar todas as suas funcionalidades.

No âmbito da reabilitação de infraestruturas, sabemos que o Lar Morgado do Cruzeiro necessita de uma intervenção ampla e profunda, que transforme esta Unidade num espaço moderno e acolhedor. É uma necessidade urgente que decorre da sua antiguidade e do desgaste de funcionamento de cerca de 40 anos. Porém, qualquer intervenção de fundo nesta infraestrutura terá de ser ancorada no Novo Quadro Comunitário de Apoio, como esperamos que venha a ser.

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Será também necessário encontrar soluções adequadas para a reabilitação e rentabilização do património cultural. Neste âmbito é fundamental que durante o próximo quadriénio se encontrem e reúnam as condições necessárias para a construção do museu da Instituição, bem como para a edição e publicação dos 400 anos de história da Instituição. A reabilitação do monte da Sra. Castelo é também uma necessidade para a qual procuraremos encontrar a melhor solução, em parceria com a autarquia.

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A construção ou implementação de novas valências de apoio social, em complemento das já existentes, passará por uma análise profunda da necessidade de apoio local ou regional. Isto significa que o desenvolvimento e implementação de novos projetos de apoio social, terá de ser justificado por uma necessidade de apoio local, decorrente de lacunas ainda existentes, ou, no mínimo, terá de ter uma ambição regional, que garanta o apoio à população de Mangualde e também à população dos concelhos contíguos e outros. Nesta matéria, penso que é necessário, acima de tudo, rentabilizar as capacidades da Santa Casa e das suas valências, e procurar liderar, num trabalho de rede social, projetos de ambição local, regional ou nacional.

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O Quadro Comunitário de Apoio será a base fundamental para o financiamento de projetos de manutenção e conservação das Unidades existentes, para a conservação e rentabilização do património e, caso se venha a justificar, para novos projetos de apoio social, em complemento dos já existentes.

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O fortalecimento e desenvolvimento do espírito da irmandade enquanto associação merecerão uma especial atenção durante o quadriénio 2015-2018, promovendo atitudes de proximidade com os irmãos, estimulando interesses comuns e cumplicidade com a Santa Casa da Misericórdia de Mangualde, no sentido de gerar verdadeiros laços de associativismo que facilitem o desenvolvimento e o fortalecimento da Instituição enquanto associação e a sua dinamização social, cultural e recreativa, tendo sempre como referência os princípios da doutrina e moral cristãs.

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O estabelecimento de parcerias com o movimento associativo e outras instituições é uma necessidade que permitirá envolver e associar às festividades da Sr.ª do Castelo a realização de múltiplos eventos, de natureza cultural, desportiva, gastronómica, lazer, recreativa e outros, invertendo a tendência de declínio que se tem verificado nos últimos anos, revitalizando assim o monte e as festas da Sr.ª do Castelo.

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A Garantia da sustentabilidade financeira da Instituição será uma preocupação permanente que nos levará a Implementar medidas de gestão rigorosa, com a preocupação de controlar custos e ao mesmo tempo consolidar as receitas.

Naturalmente que nesta matéria, teremos também a preocupação permanente de honrar todos os compromissos financeiros assumidos, sem descurar a prestação de serviços de excelência aos utentes.

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Ilustres convidados, minhas senhoras e meus senhores:

Para a consecução dos importantes objetivos, de que os exemplos referenciados anteriormente constituem uma visão parcelar dos nossos propósitos para o próximo mandato, conto naturalmente com o saber e experiência de cada um dos membros desta nova equipa. Das diferentes sensibilidades profissionais decorrerá, naturalmente, a manifestação de melhorias significativas nas diferentes áreas de intervenção. Estou certo de que cada um dos elementos que compõe a nova Mesa Administrativa saberá assumir a postura de querer fazer mais e melhor em prol da nossa Santa Casa.

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Antes de terminar, não quero deixar de sublinhar, com vénia de reconhecimento e gratidão o trabalho desenvolvido durante os últimos 12 anos pelos elementos dos Corpos Gerentes que hoje terminam funções. A todos é justo que dirija palavras de elevada estima e profundo agradecimento, pela forma extremamente dedicada, eficiente e prestigiante como conduziram os destinos desta nobre Instituição ao longo dos últimos quatro mandatos.

Na pessoa do Coronel Morais de Almeida por quem nutro uma especial amizade, elevada estima e consideração pessoal, cumprimento com respeito e gratidão, todos os elementos que hoje cessam funções, salientando as assinaláveis qualidades de abnegação, esclarecido e excecional zelo, bom senso, acentuado rigor e determinação com que cumpriram esta nobre missão.

Muito obrigado por tudo o que deram a esta causa. Ganhou a Santa Casa, ganhou a comunidade e todos nós, porque esta é uma causa que nos alimenta e nos faz acreditar numa sociedade mais justa e fraterna.

A todos os trabalhadores e colaboradores da Santa Casa, sem exceções, quero deixar a expressão do meu agradecimento pelo trabalho que desenvolvem todos os dias e formular ardentes votos para que continuem a desempenhar com zelo e paixão o trabalho que vos está confiado.

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Ilustres convidados, prezados irmãos, queridas e queridos amigos:

Termino, Renovando uma vez mais os meus agradecimentos pela vossa presença.

Agora é hora de trabalho e muito trabalho. Iremos arregaçar as mangas e meter mãos à obra, com a plena consciência de que durante os próximos 4 anos muitas serão as dificuldades e adversidades que teremos de superar. Porém, nada temeremos, porque cheios de Deus, venha o que vier, nada será maior do que a nossa Alma.

Que Deus nos ajude e nos abençoe a todos.

Muito obrigado.

402 Aniversário

 MG 5201

Comemoramos hoje os 402 anos de Vida da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde. Os quatro séculos de história desta nobre instituição testemunham a capacidade e tenacidade de dirigentes e colaboradores em sobreviver a todas as vicissitudes e dificuldades, sempre com o objectivo de minimizar o sofrimento da população mais débil e carenciada, e dar conforto aos mais desfavorecidos.

A vida das pessoas e das instituições é um dom divino. O mesmo se diga da solidariedade, do amor, da caridade. Como também é dom de Deus a percepção humana da dimensão do tempo.

Porque assim é, faz todo o sentido que a Santa Casa da Misericórdia de Mangualde se sinta feliz por mais um ano de vida ao serviço da nossa Cidade e deste Concelho e partilhe essa sua felicidade com todos os seus membros, irmãos, utentes, funcionários, colaboradores e amigos e com todas as entidades convidadas de quem sempre tem recebido incentivo e apoio para a realização das obras de misericórdia, objectivo que constitui a sua finalidade matricial.

Mesmo não sendo uma data redonda, como as das bodas que é usual adjectivar com os nomes de metais preciosos (e não sei se haverá metais para classificar Bodas de instituições tetra seculares), este aniversário – que pretendemos celebrar de uma forma simples – pode e deve ser aproveitado para evocar o passado glorioso desta instituição, falar da sua situação presente e sobretudo para encarar e preparar o futuro.

É, assim, tempo para um breve balanço, mas acima de tudo para uma reflexão prospectiva, que nos permita encarar o futuro com a capacidade de imprimir as mudanças necessárias num cenário certamente mais exigente e mais competitivo, pois, como bem disse John Kennedy “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro”.

A história de Mangualde não pode dissociar-se da história da Santa Casa. Pois, esta é sem qualquer dúvida a Instituição mais antiga da nossa Terra, que ao longo destes quatro seculos muito contribuiu para o desenvolvimento social, social e económico da nossa Cidade e deste concelho.

A sua importância, prestigio e grandeza podem, desde logo, aferir-se do incentivo e patrocínio régio destas instituições de assistência – que a Rainha D. Leonor e El-Rei D. Manuel I quiseram que se espalhassem por Portugal inteiro –, a utilidade pública que lhes foi conferida, do elevado sentimento de humanidade que preside ao cumprimento das obras de Misericórdia (serviço de Deus), da confirmação regia dos seus estatutos ou carta fundacional (compromissos), dos muitos e imensos privilégios concedidos às Misericórdias e seus provedores, oficiais (mesários) e irmãos que nelas trabalhassem.

É dentro desta espirito de utilidade pública e do elevado sentido de humanidade das misericórdias, que a nossa Irmandade nasce em 16 de Março de 1613, por alvará de Filipe II, tendo o seu Compromisso sido renovado e confirmado em 30 de Outubro de 1679.

Tenho consciência que, ao longo deste quatro séculos, esta e todas as outras Misericórdias sentiram e viram no seu seio muita dor e sofrimento. Mas gostaria também de realçar, as alegrias de todos aqueles que contribuíram para a transformação de um esgar num sorriso; daqueles que, ao acolher um utente, a maioria das vezes desconhecido, debilitado e desamparado, o ajudaram no seu processo de integração, transmitindo-lhe segurança e conforto para o início do seu novo ciclo de vida.

É nesta luta por uma humanização permanente, que se destacam as Misericórdias com a sua matriz de Solidariedade Social e todas as entidades e equipas que as compõem, de profissionais e voluntários, que em partilha mútua se entregam abnegadamente ao desempenho das suas missões.

Ilustres convidados, prezados irmãos, minhas senhoras e meus senhores:

Hoje a Santa Casa da Misericórdia de Mangualde é uma instituição de solidariedade social de referência, que garante respostas sociais com duas estruturas residências para idosos, uma unidade de cuidados continuados e uma creche.

O trabalho que já estamos a desenvolver assenta nas seguintes linhas gerais:

•         Promoção e garantia de serviços de excelência aos utentes;

•         Valorização e motivação dos recursos humanos;

•         No fortalecimento e desenvolvimento do espírito da Irmandade;

•        Na conservação, manutenção e reabilitação das infraestruturas;

•         E na manutenção, reabilitação e rentabilização do património;

Linhas gerais estas, subordinadas ao princípio da sustentabilidade financeira da Instituição e do financiamento de projetos ancorados no novo quadro comunitário de apoio.

O Lar Morgado do Cruzeiro necessita de uma intervenção ampla e profunda, que o transforme num espaço moderno e acolhedor. É uma necessidade urgente que decorre da sua antiguidade e do desgaste de funcionamento de cerca de 40 anos. Estamos a desenvolver um projecto de remodelação desta Unidade e a preparar uma candidatura ao programa nacional de inserção social e emprego, no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio, que garante as condições financeiras para a reabilitação necessária.

O Lar N. Srª da Amparo terá de ser dotada, a curto prazo, com os equipamentos e as medidas necessárias para fazer face a situações de emergência contra incêndios, nomeadamente portas corta-fogo e escada de evacuação de emergência.

No âmbito do património cultural estamos a desenvolver um projecto e uma candidatura a fundos do quadro comunitário de apoio, que nos permita reunir as condições necessárias a curto prazo para a construção do museu da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde, e a reabilitação dos tectos e do retábulo da Igreja da Misericórdia.

Iniciámos também os primeiros contactos com uma editora para que durante o quadriénio 2015-2018 a edição e publicação dos 400 anos de história da Instituição seja uma realidade.

A reabilitação do monte da Sra. Castelo é também uma necessidade para a qual estamos a procurar encontrar a melhor solução, em parceria com a autarquia. Estamos convictos de que a médio prazo iremos encontrar a melhor solução para a concretização deste objectivo.

No âmbito da eficiência energética iremos, até ao final do presente ano, ligar todas as infra-estruturas da Santa Casa à média tensão, o que nos trará uma poupança na ordem dos 14.000 euros por ano. Também neste âmbito solicitámos uma auditoria de eficiência energética que nos ira permitir implementar medidas de redução significativa do consumo de energia. Esta redução é possível e absolutamente necessária, pois a fatura energética é a mais alta a seguir aos recursos humanos com custos atuais anuais na ordem dos 200 mil euros.

Minhas Senhoras e meus Senhores:

Costuma dizer o povo – e com razão – que “grande nau, grande tormenta”. Ora, o barco da Misericórdia de Mangualde é, de facto grande e movimenta muitos“tripulantes” – 140 trabalhadores – e muitos mais “passageiros” – cerca de 220 utentes: 180 idosos e 40 crianças –, dispondo de um orçamento que ultrapassa os 2,5 milhões de euros, para cruzar o mar encapelado das necessidades sociais, da saúde e culturais dos mais pequenos e dos idosos mais pobres e carenciados. É com este enquadramento que garantimos aos nossos passageiros uma viagem com bem-estar, conforto e qualidade de vida, através de serviços de excelência e de cuidados especializados, nos lares, na Unidade de Cuidados Continuados e na Creche.

Estes números são a confirmação inequívoca de que hoje a Santa Casa é uma instituição de grande importância para a nossa comunidade, quer pelo emprego que gera, quer pelos cuidados e serviços que presta aos utentes e concomitantemente às suas famílias.

Considero que o atual modelo de apoio social poderá vir a estar sujeito, a curto ou médio prazo, a um processo de estudo e revisão, que o transforme num modelo mais exigente, mais competitivo e mais difícil de sustentar financeiramente. É por isso fundamental que no futuro se tenha uma visão estratégica com inovação e empreendedorismo social, que permita garantir o desenvolvimento económico e social da Instituição, através da rentabilização e eficiência dos recursos humanos, técnicos, materiais e financeiros disponíveis.

Num futuro incerto mas provavelmente mais exigente e competitivo é essencial ter uma visão empreendedora, que inove e rentabilize as capacidades da Santa Casa e das suas valências, procurando liderar, num trabalho de rede social projetos novos e diferenciados, de ambição regional ou nacional.

O nosso compromisso é empenharmo-nos na resolução dos problemas sociais de forma inovadora e sustentável, com a finalidade de dar resposta aos grandes desafios sociais da atualidade, através da ação social na prevenção e no apoio nas diversas situações de fragilidade, exclusão ou carência humana, promovendo a inclusão, a integração social e o desenvolvimento local.

Estou certo que, se assim procedermos, teremos garantida a perenidade desta instituição. Com a ajuda dos de todos os Irmãos e dos Mangualdenses, a Misericórdia vai prosseguir na sua acção solidaria, pelos séculos e séculos, ate ao consumar dos tempos.

Que o manto diáfano da Sra. do Amparo a todos nos cubra com as suas bênçãos.

Muito obrigado!

Sessão Solene

SessaoSolenaOs 403 anos de história da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde conferem-lhe o estatuto de Instituição mais antiga da nossa Terra. Ao longo destes quatro séculos, a Misericórdia de Mangualde tem sido um pilar central para o desenvolvimento social, económico e cultural da nossa Cidade e do nosso Concelho.//

Nos últimos 40 anos, a Misericórdia de Mangualde acompanhou o processo de desenvolvimento do actual modelo de apoio social e adequou-se a ele, sendo pioneira, em 1975, na construção da primeira Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI - Lar Morgado do Cruzeiro) do nosso Território.//

Hoje é a maior empresa de economia social de Mangualde, constituída com duas ERPI, uma Unidade de Cuidados Continuados Integrado (UCCI) e uma Creche, que funcionam 24 horas por dia, durante 365 dias por ano. Com cerca de 140 colaboradores, presta cuidados diários a 230 utentes e tem uma execução orçamental de 2,7 milhões de Euros//

No passado mês de Março, apresentámos em Assembleia Geral o relatório de contas de 2015, com resultados significativamente positivos, facto que nos deixa particularmente satisfeitos.

Os resultados apresentados têm a particularidade de terem ocorrido num ano em que o ambiente externo foi caraterizado por um país com dificuldades de crescimento económico e por famílias fortemente afetadas pela perda de rendimentos, em virtude da redução de salários e pensões e elevado desemprego, consequências das medidas de austeridade impostas pelas anteriores Entidades Governativas. Nesta conjuntura, a intervenção social surge como mais necessária e premente, sendo indispensável ajudar os que mais precisam, principalmente os de condição económica mais fraca.//

No ano de 2015, continuámos a ser a Instituição dos mais necessitados, procurando, sempre que possível, dar uma resposta positiva e adequada aos muitos pedidos de ajuda que diariamente chegaram ao nosso Gabinete Social.

Nas ERPI acolhemos e cuidámos diariamente 150 idosos. É nesta resposta social que mais se salienta a preocupação de continuarmos a apoiar aqueles que mais precisam. Os números não deixam dúvidas, 25% dos nossos Utentes dos Lares pagam menos de 400 €/mês e a média geral das mensalidades é de 520€, muito abaixo dos valores de referência.

A Unidade de Cuidados Continuados foi a valência onde registámos os melhores resultados, por comparação com o ano de 2014. Apesar de ainda ter apresentado um resultado líquido negativo, verificou-se uma redução de cerca de 70%, face a igual período do ano anterior.

Na creche “Mariazinha Lemos”, aumentámos o resultado liquido positivo em 100%, face ao ano de 2014, em virtude do aumento de frequência de crianças, que no final do ano, atingiu o máximo da frequência autorizada.//

Estes são os resultado de uma ação estratégica suportada em critérios de gestão, que visão em permanência, a eficácia e eficiência dos recursos disponíveis, capazes de gerar as verbas necessárias para garantir a sustentabilidade da Instituição, com capacidade simultânea de investimentos e regeneração periódica de equipamentos e infra-estruturas sociais, que lhe permitam o cumprimentos cabal da sua missão: ”Manter e promover obras no âmbito da ação social, através de serviços de excelência e de cuidados especializados, garantindo o bem-estar, o conforto e a qualidade de vida dos utentes”.//

Mas estes resultados, do qual nos orgulhamos, não seriam possíveis sem o esforço e dedicação de todos os elementos da Mesa Administrativa, dos colaboradores e dos voluntários da Misericórdia de Mangualde, que diariamente dão o seu melhor em prol desta causa e a quem aproveito para manifestar o meu profundo reconhecimento e agradecimento.//

Hoje a gestão da Misericórdia de Mangualde assenta numa visão estratégia que a oriente para uma dinâmica de crescimento e desenvolvimento, tendo sempre em consideração a particularidade de ser Misericórdia. Esta particularidade distingue-a das demais IPSS, conferindo-lhe o dever de continuar a apoiar aqueles que mais precisam, independentemente da sua condição social e económica. Assim, uma boa gestão da Misericórdia terá sempre de gravitar em volta da solução desta equação, que por um lado integra as variáveis de crescimento e desenvolvimento e por outro lado a variável de ser Misericórdia.//

A visão estratégica para o crescimento e desenvolvimento da Santa Casa passa por cuidar dos utentes, com a garantia da certificação da qualidade dos cuidados, pela motivação dos recursos humanos, pela regeneração de infra-estruturas e equipamentos sociais, pela regeneração do património, pela optimização dos recursos disponíveis, pelo fortalecimento e desenvolvimento do espirito da Irmandade, pelo aumento do voluntariado e, obviamente, tudo isto sustentado no equilíbrio financeiro da Instituição. Uma visão estratégica focada na optimização dos serviços prestados, na racionalização dos recursos existentes, na dinamização das actividades com fins lucrativos associadas e se possível no acesso ao financiamento de projetos ancorados no “Portugal 2020”.

Uma estratégia assente em linhas de acção regidas por critérios de eficiência, eficácia e excelência, capazes de gerar verbas que permitam uma regeneração periódica de equipamentos e infra-estruturas e a sustentabilidade da organização, melhorando o desempenho dos serviços prestados, na prossecução do seu primordial objectivo: cumprimento da missão e atribuições da Misericórdia de Mangualde.//

No que diz respeito aos cuidados, a ambição centra-se na certificação da sua qualidade. Para o efeito, em Janeiro deste ano desenvolvemos e iniciámos um plano de formação contínua, promovendo assim o nivelamento de competências individuais de todos os colaboradores. Este plano de formação foi desenvolvido pela Misericórdia de Mangualde, tendo em consideração as reais necessidades da Instituição e está a ser aplicado a todos os colaboradores em quatro tempos de 50 minutos por semana. Paralelamente estamos a dar continuidade ao trabalho da anterior Mesa Administrativa, com a redacção do normativo interno, que se pretende transversal a todas as áreas de funcionamento, com principal foco na área operacional da Instituição. //

A avaliação do desempenho e Gestão de Competências dos Colaboradores da Misericórdia de Mangualde é uma questão fundamental para um modelo de gestão que pretende provocar o alinhamento da Estratégia Organizacional e a boa Gestão dos Recursos Humanos, quantificar o contributo do Colaborador para a prossecução dos objectivos da Misericórdia, medindo a capacidade de integração das suas competências de forma a trazer resultados efectivos para a organização, contribuir para a valorização individual e para a contínua melhoria do desempenho, de modo a aumentar a produtividade e a eficiência do Colaborador e promover uma melhor adequabilidade entre o seu potencial e o seu perfil e as tarefas a executar.

Ao mesmo tempo é necessário motivar o comportamento e desempenho dos colaborador da Instituição, ajustando regalias associadas à respectiva avaliação, diagnosticar as necessidades de formação em função das tarefas a desenvolver e avaliar os respectivos resultados, estimulando o Colaborador para novos modos de atuação e novos saberes institucionalmente validados. Neste sentido, no passado mês de Fevereiro demos início à implementação do sistema de avaliação de desempenho e gestão de competências, aplicando um modelo exclusivo, desenvolvido por nós de forma a termos resultados precisos e consequentes.

A melhoria dos cuidados e a sua certificação passa também pela reorganização do serviço interno, adequando todas as respostas sociais com um quadro de pessoal efectivo para fazer face a todas as necessidades inerentes aos cuidados a prestar a Utentes cada vez mais dependentes e com patologias diversas. Um processo de reorganização do serviço interno segundo um conceito de maior especialização, articulando os cuidados em cuidados aos utentes e cuidados às instalações, com separação dos recursos humanos afectos a cada uma destas áreas. Este é um processo que está em curso, já aplicado à UCCI e Creche. Recentemente foi iniciado no Lar Nossa Senhora da Amparo e oportunamente será estendido ao Lar Morgado do Cruzeiro. É um processo que trará maior autonomização mas também maior responsabilização das pessoas afectas a cada uma das valências da Misericórdia de Mangualde, nas áreas da saúde, animação, Cuidados aos Utentes, Cuidados às Instalações e em particular na área da direcção técnica.//

A aplicação das novas tecnologias de informação aos processos de desenvolvimento dos utentes é, para além de um sinal de modernidade e de adequação da Instituição aos novos tempos, uma necessidade de mais eficiência e transparência dos cuidados prestados. Por esta razão, os atuais processos individuais dos Utentes, em papel, estão a ser informatizados, permitindo o registo informático de todos os cuidados que lhes são prestados, e o acesso de cada familiar, através de uma plataforma digital, à área reservada do utente e ao mesmo tempo a interacção com a Instituição. Este processo foi recentemente iniciado na UCCI e será progressivamente aplicado em todas as valências da Misericórdia de Mangualde.//

Garantir o conforto e a qualidade de vida dos Utentes da passa, obviamente, pela regeneração de infra-estruturas e equipamentos sociais. Atendendo às datas de edificação das valências da SCMM, a prioridade de regeneração é a ala norte do Lar Morgado do Cruzeiro. Esta ala é a mais antiga, pois o início do seu funcionamento remonta ao ano de 1975. Esta reabilitação é uma necessidade que se impõe e que não pode ser adiada, uma vez que aquela estrutura apresenta uma extraordinária e irreversível deterioração provocada por 40 anos de utilização, estando radicalmente desenquadrada dos actuais requisitos de conforto e de qualidade. O projecto de reabilitação desta infra-estrutura já está licenciado pela Câmara Municipal de Mangualde e tem um custo estimado em cerca de 1,5 milhões de euros. Temos consciência de que o custo desta reabilitação é muito elevado face aos recursos financeiros disponíveis pela nossa Misericórdia, mas também temos a certeza que esta obra é inadiável e absolutamente necessária para continuarmos a apoiar com dignidade a Comunidade de Mangualde, conforme temos apoiado todos aqueles que nos têm procurado, ao longo dos 403 anos de vida da Misericórdia. É com esta certeza, que acreditamos que este projeto é merecedor de ser apoiado pelo programa operacional de reabilitação de infraestruturas e equipamentos sociais do Portugal 2020 e que brevemente poderá será mapeado pelas entidades competentes, o que nos permitirá apresentar uma candidatura para obtermos apoios financeiros para esta grande obra.//

Também a ala sul do Lar Morgado do Cruzeiro deverá será objecto de um plano director de regeneração, através da criação de um quarto modelo, a aplicar progressivamente, num período de 10 anos, a todos os quartos.//

Temos um património cultural edificado de dimensão significativa, a Igreja da Misericórdia e a Ermida da Nossa Senhora do Castelo, ambos classificados como património de interesse público. A Igreja da Misericórdia é considerada a jóia da coroa do nosso território, enquanto património cultural edificado que, pese embora o esforço da sua conservação e manutenção, apresenta alguns sinais de degradação. Também a própria Ermida da Nossa Senhora do Castelo, lugar santo e emblemático no nosso Concelho, apresenta alguns sinais de degradação, em particular nas fachadas exteriores. Infelizmente, as decisões sobre o mapeamento do património a beneficiar de fundos comunitários para a sua regeneração, não incluíram, nesta fase, o nosso património. Porém, continuaremos a estar atentos a todos os programas, dos quais possamos vir a beneficiar em proveito da regeneração do nosso património.

Apesar de todos os constrangimentos financeiros, procederemos às intervenções necessárias, como já fizemos recentemente na Ermida da Nossa Senhora do Castelo, com a instalação, na entrada principal, de uma porta em vidro, criando assim uma antecâmara de protecção do frio e do vento. Durante este ano iremos requalificar o Altar da Ermida, aproximando a mesa do Altar da Assembleia e a construção de um ambão adequado.//

Para além de ser património cultural, o Monte da Nossa Senhora do Castelo é também considerado património natural de grande valor e elevado significado para toda a comunidade. Consideramos que este local não mereceu nos últimos 30 anos, dos atores com responsabilidade no nosso território, a atenção devida no sentido de o potenciar como lugar de excepção turístico da nossa Região. Consideramos que esta atitude poderá ter condicionado irremediavelmente a requalificação que este lugar merece. Porém, entendemos que mesmo assim, ainda poderá haver uma solução de requalificação deste lugar, mas para isso é fundamental ter uma ideia consubstanciada num projecto global de requalificação. Não interessa fazer qualquer coisa desintegrada de um projecto global. Foi por esta razão que propusemos à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto a integração do estudo do Monte da Nossa Senhora do Castelo no mestrado de Arquitectura Paisagística. Hoje 5 mestrandos estão a fazer a sua tese de mestrado sobre o nosso Monte, com uma forte possibilidade de um deles fazer incidir a sua tese de doutoramento num projecto global de arquitectura paisagística para este lugar. Estamos convictos que este poderá ser o passo decisivo para que, de acordo com cronograma ajustado, se encontrem as melhores soluções para a reabilitação deste espaço, dotando-o de melhores condições para todos os que o vistam.//

Somos a Instituição mais antiga do nosso Território com 403 anos de história. Uma história que está vertida nas centenas de documentos, que fazem parte do espólio documental da Misericórdia de Mangualde, e na memória que representa o património cultural edificado da Instituição.

Por ser absolutamente necessária para o estudo e redação da história da Misericórdia, à cerca de meio ano iniciámos o processo de organização e classificação do espólio documental, estando agora em fase de conclusão.

Também a História da Misericórdia está a ser escrita pelo Dr. Pedro Silva, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, num trabalho de doutoramento sobre a nossa Misericórdia.//

No âmbito do fortalecimento e desenvolvimento do espírito da Irmandade, no pretérito ano demos início ao ritual da admissão, em sessão solene, de todos os Irmãos admitidos administrativamente durante 2014 e distinguimos todos os Irmãos com mais de 25 anos de vida na Irmandade com a entrega dos respectivos testemunhos de apreço. Também celebrámos 36 protocolos de cooperação nas áreas da saúde, lazer e aquisição de bens e serviços que beneficiam, em muito, a condição de irmão com descontos directos no consumo desses bens e serviços. Os protocolos estão disponíveis para consulta no site da Instituição em www.scmmangualde.pt, desde a data da sua assinatura.

Tem-se verificado um aumento contínuo do número de irmãos e esperamos sinceramente que o número continue a crescer. Porém, e apesar da dimensão quantitativa ser elementar, considero ser mais importante e cada vez mais necessário que cada um dos Irmãos se estabeleça num verdadeiro compromisso de fidelidade em defesa dos superiores interesses da Misericórdia de Mangualde, através de uma participação activa que ajude o seu crescimento e desenvolvimento. Por exemplo, a opa da Irmandade, um dos seus símbolos, pode e deve ser usado por todos os irmãos nas suas cerimónias religiosas. Porém, todos sabemos que são muito poucos os irmãos que têm e usam a opa. Normalmente, apenas os mesários trajam com a opa nas cerimónias religiosas. Muitos pensarão que a opa é só para os mesários. Ora, eu gostava de contrariar esta ideia. Por esta razão, a mesa administrativa deliberou, na primeira reunião ordinária deste ano, reduzir o custo da opa para 25 euros, numa tentativa de contrariar a situação actual e aumentar progressivamente a participação de irmãos com opa nas cerimónias religiosas.

Num futuro incerto mas provavelmente mais exigente e competitivo é essencial ter uma visão empreendedora, que inove e rentabilize as capacidades da Santa Casa e das suas valências, procurando liderar, num trabalho de rede social projectos novos e diferenciados.//

Num tempo em que se retarda cada vez mais a “institucionalização total”, o que em tese parece correcto, devemos procurar dar novas respostas sociais de elevada qualidade. É neste sentido que estamos a licenciar uma nova resposta social de apoio domiciliário, com cuidados na área da saúde, segurança, apoio administrativo e novas tecnologias de informação, higiene e alimentação e a resposta social de centro de dia. //

Obviamente, a sustentabilidade financeira da Instituição tem merecido uma atenção especial, pelo que temos procurado reduzir custos e ao mesmo tempo aumentar receitas. No âmbito da redução dos custos, temos vindo a rever os contractos de prestação de serviços, com vantagens para a Instituição, o que foi conseguido na área das comunicações, no fornecimento de energia eléctrica, na manutenção dos elevadores, na manutenção preventiva do sistema AVAC e da qualidade do ar da UCCI, na limpeza da UCCI, no fornecimento de medicamentos, na recolha de resíduos hospitalares, no fornecimento de géneros alimentares e outros. //

Instalámos uma linha de self-service e concentrámos os três espaços de refeições dos colaboradores num único espaço.

Ainda com o objectivo de redução de custos e utilização mais racional e mais eficiente dos recursos disponíveis, concentrámos as duas lavandarias existentes apenas numa.

Considerando o elevado custo que representa o consumo de energia, solicitámos uma auditoria de eficiência energética, no sentido de encontrar soluções que permitam minimizar estes custos. Neste âmbito, adjudicámos a ligação de todas as valências da Santa Casa à “média tensão”, o que se irá traduzir numa poupança anual significativa.

No âmbito do aumento de receitas, aumentamos a capacidade da UCCI em 5 camas de “gestão privada”, o que permite maior capacidade de apoio e um aumento significativo das receitas anuais.//

O nosso compromisso é continuar a empenharmo-nos na resolução dos problemas sociais de forma inovadora e sustentável, com a finalidade de dar resposta aos grandes desafios sociais da actualidade, através da acção social na prevenção e no apoio nas diversas situações de fragilidade, exclusão ou carência humana, promovendo a inclusão, a integração social e se possível darmos o nosso contributo para o desenvolvimento local.

Estou certo que, se assim procedermos, teremos garantida a perenidade desta instituição. Com a ajuda de todos os Irmãos e dos Mangualdenses, a Misericórdia vai prosseguir na sua acção solidária, pelos séculos e séculos, até ao consumar dos tempos.

 

Jantar Conferência

discursojantarExmo. Sr. Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Dr. Vieira da Silva

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Mangualde, Dr. João Azevedo

Exmo. Sr. Vice-Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Dr. Calos Andrade

Sr.ª Presidente da Assembleia Municipal de Mangualde, Dr.ª Leonor Pais

Srs. Vereadores da Câmara Municipal de Mangualde

Sr. Diretor da Segurança Social de Viseu, Dr. Telmo Antunes

Sr. Comandante do Regimento Infantaria 14,Coronel Rijo

Ilustres Provedores das Misericórdias do Secretariado Regional de Viseu presentes

Entidades Civis, Militares e religiosas

Prezados Irmãos da Irmandade da Misericórdia de Mangualde

Colaboradores da Misericórdia de Mangualde

Órgãos de Comunicação Social

Minhas senhoras e meus senhores

        

Os 403 anos de história da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde conferem-lhe o estatuto de Instituição mais antiga de Mangualde. Ao longo destes quatro séculos, a nossa Misericórdia foi um pilar central para o desenvolvimento social, económico e cultural da nossa Cidade e do nosso Concelho.

Nos últimos 40 anos, acompanhámos o processo de desenvolvimento do actual modelo de apoio social e adequámo-nos a ele.

Em 1975, fomos pioneiros na construção da primeira Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI), (designado por Lar Morgado do Cruzeiro) do nosso Território e hoje somos a maior empresa de economia social de Mangualde, constituída por duas ERPI, uma Unidade de Cuidados Continuados Integrado (UCCI) e uma Creche, que funcionam 24 horas por dia, durante 365 dias por ano.//

Com cerca de 140 colaboradores e uma execução orçamental de 2,7 milhões de euros por ano, prestamos cuidados diários a 230 utentes.//

Hoje, a gestão da Misericórdia de Mangualde assenta numa visão estratégica que a orienta para uma dinâmica de crescimento e desenvolvimento, tendo sempre em consideração a particularidade de ser Misericórdia. Esta particularidade distingue-a das demais IPSS, conferindo-lhe o dever de continuar a apoiar aqueles que mais precisam, independentemente da sua condição social e económica. Assim, uma boa gestão da Misericórdia terá sempre de gravitar em volta da solução desta equação, que por um lado integra as variáveis de crescimento e desenvolvimento e por outro, a variável de ser Misericórdia.

A visão estratégica para o crescimento e desenvolvimento da Santa Casa passa por cuidar dos utentes, com a garantia da certificação da qualidade dos cuidados, pela motivação dos recursos humanos, pela regeneração de infra-estruturas e equipamentos sociais, pela regeneração do património, pela optimização dos recursos disponíveis, pelo fortalecimento e desenvolvimento do espirito da Irmandade, pelo aumento do voluntariado e, obviamente, tudo isto sustentado no equilíbrio financeiro da Instituição.

Uma visão estratégica focada na otimização dos recursos para melhorar os serviços prestados, na dinamização das actividades com fins lucrativos associadas e no acesso ao financiamento de projectos com recurso ao “Portugal 2020”.//

No passado mês de Março, apresentámos em Assembleia Geral o relatório de contas de 2015, com resultados significativamente positivos, facto que nos deixa particularmente satisfeitos.

Os resultados apresentados têm a particularidade de terem ocorrido num ano em que o ambiente externo foi caraterizado por um país com dificuldades de crescimento económico e por famílias fortemente afetadas pela perda de rendimentos, em virtude da redução de salários e pensões e elevado desemprego, consequências das medidas de austeridade impostas pelas anteriores Entidades Governativas. Nesta conjuntura, a intervenção social surge como mais necessária e premente, sendo indispensável ajudar os que mais precisam, principalmente os de condição económica mais fraca.

No ano de 2015, continuámos a ser a Instituição dos mais necessitados, procurando, sempre que possível, dar uma resposta positiva e adequada aos muitos pedidos de ajuda que diariamente chegaram ao nosso Gabinete Social.

Nas ERPI acolhemos e cuidámos diariamente 150 issdosos. É nesta resposta social que mais se salienta a preocupação de continuarmos a apoiar aqueles que mais precisam. Os números não deixam dúvidas, 25% dos nossos Utentes dos Lares pagam menos de 400 €/mês e a média geral das mensalidades é de 520€, muito abaixo dos valores de referência.

A Unidade de Cuidados Continuados foi a valência onde registámos os melhores resultados, por comparação com o ano de 2014. Apesar de ainda ter apresentado um resultado líquido negativo, verificou-se uma redução de cerca de 70%, face a igual período do ano anterior.

Na creche “Mariazinha Lemos”, aumentámos o resultado liquido positivo em 100%, face ao ano de 2014, em virtude do aumento de frequência de crianças, que no final do ano, atingiu o máximo da frequência autorizada.//

Estes são os resultado de uma ação estratégica suportada em critérios de gestão, que visão em permanência, a eficácia e eficiência dos recursos disponíveis, capazes de gerar as verbas necessárias para garantir a sustentabilidade da Instituição, com capacidade simultânea de investimentos e regeneração periódica de equipamentos e infra-estruturas sociais, que lhe permitam o cumprimentos cabal da sua missão: ”Manter e promover obras no âmbito da ação social, através de serviços de excelência e de cuidados especializados, garantindo o bem-estar, o conforto e a qualidade de vida dos utentes”.//

Mas estes resultados, do qual nos orgulhamos, não seriam possíveis sem o esforço e dedicação de todos os elementos da Mesa Administrativa, dos colaboradores e dos voluntários da Misericórdia de Mangualde, que diariamente dão o seu melhor em prol desta causa e a quem aproveito para manifestar o meu profundo reconhecimento e agradecimento.//

Se por um lado nos orgulhamos dos resultados obtidos, temos a consciência de que teremos de continuar a procurar todos os dias as melhores soluções, para rentabilizar as capacidades da Santa Casa e das suas valências, procurando liderar, num trabalho de rede social projetos novos e diferenciados.//

Num tempo em que se procura retardar, cada vez mais, a “institucionalização total”, o que em tese parece correto, procuramos ir ao encontro das novas necessidades, com respostas inovadoras e de elevada qualidade, que garantam os cuidados no domicílio. É neste sentido que estamos a instruir um processo de licenciamento de uma nova resposta social de apoio domiciliário multidisciplinar, que proporcione cuidados nas áreas da saúde, segurança, apoio administrativo e novas tecnologias de informação, higiene e alimentação.//

Mas, por mais que se queira adiar a “institucionalização total”, virá um dia em essa decisão terá de ser tomada, sob pena da degradação dos cuidados à Pessoa.

Como consequência do adiamento da Institucionalização, Hoje, os nossos 150 Utentes das ERPI são idosos com uma idade média superior a 85 anos, com múltiplas dependências e patologias diversas. Esta tipologia obriga-nos a um reforço brutal de recursos humanos, muito acima dos rácios definidos pelo enquadramento legal, para garantirmos cuidados de qualidade, de acordo com os padrões de vida das sociedades ocidentais a que estamos habituados.

Em instituições como a nossa, onde os custos com recursos humanos ascendem já o valor de 70% dos custos globais, não restam dúvidas de que o reforço de recursos humanos para cuidar, face à tipologia de Utentes já referida, trará dificuldades de sustentabilidade financeira às Instituições, que só poderá ser compensada por via do aumento das mensalidades pagas pelas famílias e pela atualização dos protocolos de cooperação com o Estado, sendo que a primeira poderá ser difícil ou manifestamente impossível, uma vez que os rendimentos de uma elevada percentagem da população portuguesa, já são por si muito reduzidos.//

Considero que no nosso território, à semelhança do que sucede na maioria dos territórios do interior do País, estamos próximos de atingir o equilíbrio entre a oferta e a procura no que diz respeito à generalidade das respostas sociais existente. Atendendo à tendência da evolução demográfica nestes territórios, com uma redução progressiva da população geral, na qual também se inclui a redução, em termos absolutos, de pessoas idosas, é previsível que em poucos anos a oferta existente venha a superar as necessidades.

Nesta matéria, assim como noutras, é importante aprender com a história, pois quem não aprender com a história está condenado a repetir os erros do passado.//

No futuro não queremos vir a assistir ao encerramento de IPPS por insustentabilidade financeira, nem ao seu definhar prolongado, com a respetiva perda de qualidade, fruto de uma concorrência perigosa e desleal, que um hipotético excesso de oferta possa provocar, face à diminuição das necessidades provocada pela evolução demográfica. Não queremos IPSS designadas de baixo custo, para Utentes de baixos rendimentos, nem IPSS que criem alas especiais para Utentes sem recursos financeiros ou de baixa condição social. No futuro queremos continuar a ter as melhores IPSS, modernas e acolhedoras, capazes de garantir cuidados de excelência a todos os Utentes, sem descriminação pela condição social, económica, ou outra, de qualquer natureza.

Num cenário de respostas sociais que tendem ao equilibro entre a oferta e a procura, com uma evolução demográfica no sentido decrescente, a nossa prioridade deve focar-se na regeneração e requalificação das respostas sociais existentes, dotando-as de elevados padrões de qualidade, para que continuem a cumprir a sua missão com níveis de excelência.//

A nossa Misericórdia, bem como a maioria das Misericórdias do País, foi pioneira na criação da resposta social ERPI no nosso Concelho. Em 1975 construiu a ala Norte do Lar Morgado do Cruzeiro, a que se seguiu a construção da Ala Sul, em 1983, dotando-o com uma capacidade de 85 Utentes.

Passados 40 anos de utilização intensa desta ERPI, a sua reabilitação é uma necessidade que se impõe e que não pode ser adiada, uma vez que esta estrutura apresenta uma extraordinária e irreversível deterioração, estando radicalmente desenquadrada dos atuais requisitos de conforto e de qualidade.

Para o efeito, concebemos um projeto de arquitetura, projeto este que já se encontra licenciado pela Câmara Municipal de Mangualde e que tem um custo estimado em cerca de 1,5 milhões de euros. Temos consciência de que o custo desta reabilitação é muito elevado face aos recursos financeiros disponíveis pela nossa Misericórdia, mas também temos a certeza que esta obra é inadiável e absolutamente necessária para continuarmos a apoiar com dignidade a Comunidade de Mangualde, conforme temos apoiado todos aqueles que nos têm procurado, ao longo dos 403 anos de vida da Misericórdia. É com esta certeza, que acreditamos que este projeto é merecedor de ser apoiado pelo programa operacional de reabilitação de infraestruturas e equipamentos sociais do Portugal 2020 e que brevemente poderá será mapeado pelas entidades competentes, o que nos permitirá apresentar uma candidatura para obtermos apoios financeiros para esta grande obra.//

Foi em boa hora que em 2006 os Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde, através do Decreto-Lei n.º 101/2006, criam a RNCCI, como um novo modelo organizacional de prestação de apoio social e de cuidados de saúde de forma continuada e integrada. Nesta sequência, Mangualde viu nascer a sua UCCI no dia 14 de Março de 2012, a qual tem uma capacidade de 38 camas da Rede e 5 Camas de gestão privada.

As UCCI vieram trazer uma capacidade para cuidar, até então inexistente. Hoje, a ECL à qual pertencemos tem uma capacidade de apoio de 282 camas, que lhe permitem dar uma resposta rápida e oportuna às necessidades que diariamente surgem. É uma resposta muito procurada, com benefícios claros para as famílias mas também para o Estado, na medida em que liberta camas dos hospitais públicos, colocando os Utentes em UCCI onde os custos Utente/Dia são significativamente inferiores aos do Hospitais.

A Misericórdia de Mangualde e demais IPSS gestoras de UCCI, procura todos os dias a qualificação e humanização dos cuidados no sentido de garantir os melhores serviços às pessoas que acolhe diariamente nas suas instalações. Dizemos com orgulho que temos uma das melhores UCCI do país e tudo faremos para continuar a merecer esse estatuto. Porém, o equilíbrio financeiro desta Unidade tem-se revelado difícil, como demonstram os resultados líquidos negativos da gestão dos primeiros quatro anos de funcionamento.

É verdade que no ano de 2015 reduzimos o resultado líquido negativo, na ordem de 70%, face a igual período do ano anterior, o que representa uma inversão significativa, no entanto, pensamos que o esforço de equilíbrio financeiro das UCCI deverá ser acompanhado pelas respetivas tutelas da Saúde e Segurança Social com atualizações das comparticipações do Estado, que hoje se revelam insuficientes face aos custos reais de um utente/dia.//

Preocupamo-nos em requalificar cada vez mais as nossas respostas sociais de modo a oferecermos à Comunidade os melhores serviços, equilibrando a obra de solidariedade, por um lado, com a sustentabilidade das nossas valências, por outro.//

A qualificação que procuramos passará pela sua certificação, para a qual é necessário desenvolver e implementar planos de formação contínua e sistemas de avaliação do desempenho e gestão de competências. Paralelamente, é necessário continuar a redação do normativo interno, procurar implementar a especialização de funções e proceder à informatização dos processos de desenvolvimento individual dos utentes.

A melhoria dos cuidados e a sua certificação passa também pela reorganização do serviço interno, adequando todas as respostas sociais com um quadro de pessoal efectivo para fazer face a todas as necessidades inerentes aos cuidados a prestar a Utentes cada vez mais dependentes e com patologias diversas. Um processo de reorganização do serviço interno, segundo um conceito de maior especialização, articulando os cuidados em cuidados aos utentes e cuidados às instalações, com separação dos recursos humanos afectos a cada uma destas áreas, sem despromoção das categorias profissionais de cada colaborador.//

Considero que o atual modelo de apoio social poderá vir a estar sujeito, a curto ou médio prazo, a um processo de estudo e revisão, que o transforme num modelo mais exigente, mais competitivo e mais difícil de sustentar financeiramente. É por isso fundamental que no futuro se tenha uma visão estratégica com inovação e empreendedorismo social, que permita garantir o desenvolvimento económico e social da Instituição, através da rentabilização e eficiência dos recursos humanos, técnicos, materiais e financeiros disponíveis.//

Temos um grande passado ao serviço da nossa comunidade, passado esse do qual todos nós nos devemos orgulhar e procurar sempre honrar. Mas acima de tudo, devemos aproveitar o presente para olhar o futuro, com a energia, a determinação e a ambição suficiente para imprimir as mudanças necessárias.

Pois, como bem disse John Kennedy “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro”.//

 

 

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