Provedor Entrevista

 

 

 

Entrevista Renascimento - Primeiro ano de Mandato

 

 

 


P1. Passado que é um ano da tomada de posse como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde, diga-nos Sr. Ten. Cor. José Tomás, tinha já amplo conhecimento do que era a Santa Casa, mas o que encontrou na realidade?

Encontrei uma Instituição que é mais antiga do nosso Concelho, pois os seus quase 403 anos de vida conferem-lhe esse estatuto e permitem-nos afirmar que ao longo destes quatro séculos foi uma das Instituição do nosso Território que mais contribuiu para o desenvolvimento social, económico e cultural de Mangualde. Uma Instituição que nos últimos 40 anos acompanhou o processo de desenvolvimento do actual modelo de apoio social e adequou-se a ele, sendo pioneira, em 1975, na construção da primeira Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI - Lar Morgado do Cruzeiro) do nosso Território. Hoje é a maior empresa de economia social de Mangualde, constituída com duas ERPI, uma Unidade de Cuidados Continuados Integrado (UCCI) e uma Creche, que funcionam 24 horas por dia, durante 365 dias por ano. Com cerca de 140 colaboradores, presta cuidados diários a 230 utentes e tem uma execução orçamental de 2,7 milhões de Euros. Mas, para além de ser uma empresa que necessita de uma visão estratégia que a oriente para uma gestão de crescimento e desenvolvimento, tem também a particularidade de ser Misericórdia. Esta particularidade distingue-a das demais IPSS, conferindo-lhe o dever de continuar a apoiar aqueles que mais precisam, independentemente da sua condição social e económica. Assim, uma boa gestão desta Instituição terá sempre de gravitar em volta da solução desta equação, que por um lado integra as variáveis de crescimento e desenvolvimento e por outro lado a variável de ser Misericórdia. Foi com esta convicção que no dia 2 de Fevereiro de 2015 iniciámos o nosso mandato e posso dizer-lhe que este primeiro ano foi de muito trabalho, dedicação e de grande empenho por parte de todos os elementos que constituem os Corpos Gerentes da Misericórdia, em particular dos elementos da Mesa Administrativa, que, com elevado espirito de missão, procuraram conhecer profundamente todos os dossiers e aprender a cultura da casa para saber respeitar o legado dos quase 403 anos de História desta Instituição e, ao mesmo tempo, tomar as decisões necessárias aos desafios dos tempos atuais e futuros.

P2. Como foi substituir o Cor. Fernando Morais d’Almeida, que durante 12 anos deu tudo de si, em prol da Instituição, deixando um trabalho verdadeiramente meritório e notável?

Substituir o Coronel Fernando Morais d’ Almeida foi um processo simples e natural. Eu e todos os elementos que me acompanham neste projecto assumimos, desde o primeiro dia deste mandato, uma atitude dededicação, espírito de missão e abnegação, de forma a promover o crescimento e o desenvolvimento desta nobre e secular Instituição, honrando todos aqueles que durante quatro séculosde história serviram a Misericórdia de Mangualde e ajudaram a praticar o bem. Na Instituição, encontrámos profissionais experientes e muito competentes, capazes de garantir as boas práticas nos múltiplos cuidados que são prestados diariamente aos utentes e com a capacidade e a vontade de se adaptarem às mudanças que fomos implementando ao longo deste primeiro ano e que iremos continuar a implementar. Com Lealdade, Honestidade e Frontalidade, temos promovido uma comunicação interna bidireccional, no sentido ascendente e descendente, garantindo a informação e os esclarecimentos necessários em todos os escalões hierárquicos, geradora só por si de uma motivação e responsabilização adicionais, que nos tem permitido gerar consensos e granjear o respeito e a consideração de todos os colaboradores.

Hoje conhecemos profundamente todos os assuntos da Santa Casa e temos uma visão estratégica para o crescimento e desenvolvimento da Instituição que passa por cuidar dos utentes, com a garantia da certificação da qualidade dos cuidados, pela motivação dos recursos humanos, pela regeneração de infra-estruturas e equipamentos sociais, pela regeneração do património, pela optimização dos recursos disponíveis, pelo fortalecimento e desenvolvimento do espirito da Irmandade, pelo aumento do voluntariado e, obviamente, tudo isto sustentado no equilíbrio financeiro da Instituição.

No que diz respeito aos cuidados, temos como ambição a certificação da sua qualidade. Para o efeito, desenvolvemos e iniciámos um plano de formação contínua adaptado às necessidades da Instituição, promovendo assim o nivelamento de competências individuais de todos os colaboradores e a redação do normativo interno, transversal a todas as áreas de funcionamento com principal foco na área operacional da Instituição. A partir do mês de Fevereiro do corrente ano, implementaremos o sistema de avaliação de desempenho e gestão de competências e faremos a reorganização do serviço interno segundo um conceito de maior especialização, articulando os cuidados em cuidados aos utentes e cuidados às instalações, com separação dos recursos humanos afectos a cada uma destas áreas. Paralelamente, iremos informatizar o processo de desenvolvimento individual dos utentes, no qual passarão a ser registados todos os cuidados que lhes são prestados, permitindo que cada familiar possa aceder, através de uma plataforma digital, de qualquer parte do mundo, à área reservada do utente de quem é responsável e interagir com a Instituição.

P3. Salientou sempre a sustentabilidade financeira da Instituição. Como é que esta se encontra? O que tem sido feito para reduzir despesas e aumentar receitas?

A sustentabilidade financeira da Instituição tem merecido uma atenção especial, pelo que temos procurado reduzir custos e ao mesmo tempo aumentar receitas. No âmbito da redução dos custos, temos vindo a rever os contractos de prestação de serviços, com vantagens para a Instituição, o que foi conseguido na área das comunicações, no fornecimento de energia eléctrica, na manutenção dos elevadores, na manutenção preventiva do sistema AVAC e da qualidade do ar da UCCI, na limpeza da UCCI, no fornecimento de medicamentos, na recolha de resíduos hospitalares, no fornecimento de géneros alimentares e outros.

Instalámos uma linha de self-service e concentrámos os três espaços de refeições dos colaboradores num único espaço.

Ainda com o objectivo de redução de custos e utilização mais racional e mais eficiente dos recursos disponíveis, concentrámos as duas lavandarias existentes apenas numa.

Considerando o elevado custo que representa o consumo de energia, solicitámos uma auditoria de eficiência energética, no sentido de encontrar soluções que permitam minimizar estes custos. Neste âmbito, adjudicámos a ligação de todas as valências da Santa Casa à “média tensão”, o que se irá traduzir numa poupança anual significativa.

No âmbito do aumento de receitas, aumentamos a capacidade da UCCI em 5 camas de “gestão privada”, o que permite maior capacidade de apoio e um aumento significativo das receitas anuais.

Tendo em vista a optimização das capacidades disponíveis da Santa Casa, esperamos obter, durante este ano, o licenciamento das respostas sociais de “Centro de Dia” e “Apoio Domiciliário” e colocá-las rapidamente ao serviço da comunidade.

A execução orçamental do pretérito ano foi positiva e caso se mantenham os pressupostos definidos no nosso Plano de Actividades e Orçamento para 2016, nomeadamente uma taxa média de ocupação superior a 95%, esperamos continuar a ter bons resultados no exercício de gestão.

P4. A reabilitação do Lar Morgado do Cruzeiro era uma das prioridades se fosse eleito Provedor. Como está esta questão? Vai haver reabilitação do Lar Morgado do Cruzeiro?

Este lar é constituído por duas áreas residenciais contiguas e interligadas, mas com datas de construção diferentes. A ala norte é a mais antiga e o seu início de funcionamento remonta ao ano de 1975. Edificada num só piso (piso zero), esta ala tem capacidade para 40 utentes, distribuídos por 8 camaratas e 6 quartos.

De uma forma geral, a ala norte apresenta sinais de grande desgaste (deterioração), provocados por 40 anos de funcionamento. A canalização, as instalações eléctricas, o sistema de aquecimento, as caixilharias e tudo o que existe está gasto e o seu tempo de vida já expirou, pelo que a sua reabilitação é urgente e inadiável.

O projecto de reabilitação encontra-se em apreciação na Câmara Municipal de Mangualde desde o dia 18 de Dezembro de 2015 para licenciamento. Paralelamente, será desenvolvida uma candidatura ao Portugal 2020 para obtermos apoios financeiros para esta reabilitação.

P5. Em entrevista ao nosso jornal, em finais de 2014, referia que a primeira medida a implementar seria “dotar os espaços de utilização comum das várias unidades com um design moderno de forma a criar um ambiente jovem, alegre e acolhedor”. Já temos espaços com uma nova imagem?

Sim. Dou-lhe o exemplo do salão de lazer do Lar Morgado do Cruzeiro que foi pintado com cores mais alegres e equipado com novos equipamentos de audiovisual, e da entrada principal da Misericórdia que também foi requalificada.

P6. Celebraram vários protocolos em diversas áreas para fomentar a condição de irmão da Santa Casa. Em que medida foram divulgados, visto termos conhecimento que a maior parte desconhece a sua existência?

No âmbito do fortalecimento e desenvolvimento do espírito da Irmandade enquanto associação, demos início ao ritual da admissão, em sessão solene, de todos os Irmãos admitidos administrativamente durante 2014 e distinguimos todos os Irmãos com mais de 25 anos de vida na Irmandade com a entrega dos respectivos testemunhos de apreço. Também celebrámos 36 protocolos de cooperação nas áreas da saúde, lazer e aquisição de bens e serviços que beneficiam, em muito, a condição de irmão com descontos directos no consumo desses bens e serviços. Os protocolos estão disponíveis para consulta no site da Instituição em www.scmmangualde.pt, desde a data da sua assinatura.

P7. Desde que foi eleito o número de irmãos tem aumentado?

Sim, tem-se verificado um aumento contínuo do número de irmãos e espero sinceramente que o número continue a crescer. Porém, e apesar da dimensão quantitativa ser elementar, considero ser mais importante e cada vez mais necessário que cada um dos Irmãos se estabeleça num verdadeiro compromisso de fidelidade em defesa dos superiores interesses da Misericórdia de Mangualde, através de uma participação activa que ajude o seu crescimento e desenvolvimento.

Deixe-me falar-lhe, por exemplo, na opa da Irmandade, um dos seus símbolos que pode e deve ser usado por todos os irmãos nas suas cerimónias religiosas. Porém, todos sabemos que são muito poucos os irmãos que têm e usam a opa. Normalmente, apenas os mesários trajam com a opa nas cerimónias religiosas. Muitos pensarão que a opa é só para os mesários. Ora, eu gostava de contrariar esta ideia. Por esta razão, a mesa administrativa deliberou, na primeira reunião ordinária deste ano, reduzir o custo da opa para 25 euros, numa tentativa de contrariar a situação actual e aumentar progressivamente a participação de irmãos com opa nas cerimónias religiosas.

P8. Resumidamente, diga-nos Sr. Provedor, como estão actualmente os Lares, a UCC e a Creche?

Em termos de frequência de utentes, temos mantido uma taxa de ocupação, em todas as valências, superior a 95%. Financeiramente, apenas a UCCI regista resultados negativos, à semelhança dos resultados obtidos nos três primeiros anos de funcionamento, embora com valores menos expressivos, em virtude da instalação das camas de gestão privada e da redução de custos de algumas prestações de serviços. No que diz respeito à qualidade e conforto das instalações, o Lar Nossa Senhora da Amparo mantém uma qualidade que satisfaz, pese embora os seus 21 anos de utilização. A Creche Mariazinha Lemos e a UCCI estão bem e sobre o Lar Morgado do Cruzeiro já falámos.

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